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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Terno, eterno olhar...

Suave, sublime, diáfano, encantador;

enfim, o meu hiperbólico falar,

deveras adjetivado, assaz pretensioso,

em nada contribui para desvelar

o mistério imanente, transcendente

e, por que não?, resplandecente,

que envolve os miríficos e mesmerizantes,

vivos e cortantes, olhos teus.



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