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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Casa vazia

É o fim. É o fim de tudo, eu sei.
Quando eu voltar, você não estará mais lá:
casa vazia, coração em pranto
e, nas mãos, o açoite da realidade.

Eu me arrastarei por entre cômodos e incômodos,
calado, ouvindo palavras que você nunca disse,
tentando, em vão, me iludir.

Nas estantes, livros cheios de traços e traças;
nas paredes, fotografias em preto e branco.

As gavetas estarão vazias,
a cama estará desarrumada,
minha vida, desaprumada.

O tempo começará a desmoronar,
e eu me sentirei despatriado,
perdido dentro de mim,
caminhando rumo a lugar nenhum.










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