Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

Aurora

A poesia pairava sobre as águas
e, de repente, do nada se fez tudo:
a terra, o céu, as estrelas, a lua e o sol,
e, em especial, o Éden e seus habitantes
— tudo instantaneamente.

A vida era harmoniosa e pacífica;
viviam todos em amor recíproco.
Porém, também de repente, do egoísmo humano
fez-se o ódio que desfez o encanto,
fazendo orvalhar do céu um pranto
que inundou o mundo de uma tristeza tão profunda
e tão penetrante, que fez com que, por muitos e muitos anos,
não nascesse uma flor sequer.
Naquele tempo, nem mesmo um vestígio frágil de esperança
foi encontrado sobre a face da Terra.

Somente depois de um longo inverno tenebroso,
uma tênue luz, enfim, no céu brilhou,
prenunciando, na aurora dos tempos,
a instauração da Civilização do Amor.


Comentários

Compartilhe:

Sugestões para você

Carregando…