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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

Relicário

Palavras ao vento, perdidas no tempo;
resquícios e relíquias
de almas que não se encontram,
de vidas que não se cruzam.

Palavras de desalento e desencanto,
ferinas, amargas,
sinônimas de cicatriz, dor e pranto.

Palavras sussurradas ao pé do ouvido,
com carinho e cuidado,
que reverberam nos sedentos corações.

Palavras secretas, inconfessáveis,
guardadas a sete chaves.

Palavras de gratidão e prece,
inaudíveis, transcendentes.

Palavras e seus significados semânticos
e românticos.

Palavras: Caos, Poesia e Silêncio.




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