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Constatação

Eis-me aqui de novo, com meus versos de botequim, com minha arte chinfrim, fazendo uma rima assim: ruim. Não sou boêmio. Sou abstêmio. Talvez, se eu bebesse um pouco, ou muito, conseguiria viver sem Poesia. Não sei, só sei que sempre fui assim: perdido e ensimesmado. Canto porque canto, e bota desafinação nisso! Ué, todos já foram embora? Por que estão apagando a luz? Meu nome não é José, nem Raimundo, e não carrego em minhas mãos o sentimento do mundo. Sou o que fiz de mim mesmo, e isso não é humildade, muito menos autoelogio, ou depreciação.

Soneto de Recordação

Um banco, uma praça,
em uma tarde dourada,
eis que te vejo do nada,
com luz, perfume e graça.

***

Uma memória emoldurada:
uma conversa que enlaça;
pássaros a fazer arruaça;
vida, sinais e uma nova florada.

***

De tudo, o que fica é a saudade,
que cresce sempre à tardinha,
lânguida, contida e evanescente.

***

Cresci nesta simpática cidade,
— com sua grama bem cortadinha —,
contemplando o mesmo sol poente.




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