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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do efêmero florescer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Soneto de Recordação

Um banco, uma praça,
em uma tarde dourada,
eis que te vejo do nada,
com luz, perfume e graça.

Uma memória emoldurada:
uma conversa que enlaça;
pássaros a fazer arruaça;
vida, sinais e uma nova florada.

De tudo, o que fica é a saudade,
que cresce sempre à tardinha,
lânguida, contida e evanescente.

Cresci nesta simpática cidade,
com sua grama bem cortadinha,
contemplando o mesmo sol poente.




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