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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do efêmero florescer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Liturgia dos Imperfeitos

Deuses que podemos tocar,
mundos que podemos ver,
imperfeições que nos fazem humanos:
tudo parte da comédia divina e mundana do cotidiano.

Sou um pagão, um herege,
caminhando entre lobos,
entre criaturas que dançam no escuro.

Para além do dionisíaco e do apolíneo,
do sagrado e do profano,
um senso de que só a impermanência realmente permanece,
de que o nosso tempo está se esgotando.

Prazeres secretos, curas para aquilo que não há cura, sonhos que mais parecem pesadelos;
sucessão absurda, poema pretérito.




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