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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Dolce far niente

Alegria de nada fazer,

de repousar nos teus braços,

de ouvir tua voz.

És remanso acolhedor,

luz benfazeja,

sacrário de ternura.

Com teu toque delicado,

afastas a noite perene,

desanuvias meu humor.

Mergulho de cabeça no leito das horas,

flutuo em meio a um céu de doces sensações;

desejo ardentemente que o dia não termine.

Absorvo, mais uma vez, o aroma de tua essência indecifrável,

deixo teu olhar aquecer minh’alma;

diante de ti,

no silêncio da passagem inexorável do tempo,

sinto a quase completude do ser.




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