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Constatação

Eis-me aqui de novo, com meus versos de botequim, com minha arte chinfrim, fazendo uma rima assim: ruim. Não sou boêmio. Sou abstêmio. Talvez, se eu bebesse um pouco, ou muito, conseguiria viver sem Poesia. Não sei, só sei que sempre fui assim: perdido e ensimesmado. Canto porque canto, e bota desafinação nisso! Ué, todos já foram embora? Por que estão apagando a luz? Meu nome não é José, nem Raimundo, e não carrego em minhas mãos o sentimento do mundo. Sou o que fiz de mim mesmo, e isso não é humildade, muito menos autoelogio, ou depreciação.

Frente e Verso

Versos que componho,
decomponho,
e que me rasgam a pele.
Versos, sim, dilacerantes,
delirantes,
que brotam dos rochedos,
dos ermos sítios da solidão.
Versos que gritam e se evaporam
na noite silenciosa do mundo.
E, no baço espelho da vida,
uma estranha face,
uma quimérica imagem,
um vulto desesperançado.
Seja na frente ou no verso:
páginas e páginas cobertas por uma prosa antipoética, cheia de rabiscos, vozes e palavras desconexas.




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