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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Sonambulismo

Mortos-vivos caminham pelas ruas,
anestesiados de prazer e tédio.
Sem nenhum horizonte ou perspectiva,
vagam em contínua agonia.
Acham que não existem mais valores;
que agora tanto faz ser bom ou mau.
Pensam que todos os caminhos se assemelham,
pois, para eles, o fim é sempre igual.
Tornam-se, assim, devotos da própria anestesia;
e fazem do mundo o réu de toda ruína.



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