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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

Arco-celeste

Em meio à chuva intempestiva,
ao estrondo dos trovões,
um relâmpago, de repente, ilumina.
E, numa revoada de sonhos e pássaros,
ouvindo o som das lágrimas nas calhas
de uma cidade esquecida,
sinto o clima crescente do silêncio
que, aos poucos, me enlaça,
fazendo nascer,
no arco-celeste,
uma nova vida.


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