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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do efêmero florescer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Loucuras Opostas

Em minha tranquilidade, muitos excessos; em seus excessos, muita tranquilidade. Você é detentora de uma loucura turbilhonante; eu possuo apenas uma loucura serena. Somos seres inconstantes, incompletos e insatisfeitos. Somos, enfim, seres desejantes; porém, desejamos coisas diferentes. Somos opostos, mas talvez não sejamos complementares, sendo a complementariedade, no sentido pleno do termo, algo utópico, inalcançável. No entanto, ao nosso modo, agregamos sempre algo um ao outro.

Vemos o mundo sob prismas distintos: você acha que há algo para além desta jornada e eu, por outro lado, acho que a jornada é o que há, nada além disso. Se me digo realista, você, romântica. Se vejo empecilhos, você, oportunidades. Você diz que podemos nos reinventar, ser aquilo que quisermos, mas eu penso que certas coisas nunca mudam.

Esquisitos, loucos, melancólicos, alegres; ora profundos, ora rasos; ora perdidos, ora encontrados: eis um pouco do que somos – pois não ousamos nos delimitar. Há sempre um caminho a percorrer, até não haver mais caminho algum. Tudo, em se tratando da vida, uma questão de tempo.



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