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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Burguesia

Um brinde à burguesia!
Ela não fede, mas, como todo mundo,
quer também ficar rica.
Não quero aqui fazer poesia,
quero falar mesmo é da vida comezinha:
aluguel, contas, plano de saúde, uma boa escola para os filhos…
Não é nenhum crime querer algo mais.
Vender, comprar; ter princípios e valores;
crescer na vida à custa do próprio labor.
Uma piscina cheia de ratos é própria daqueles que vivem do suor alheio,
daqueles que, por não suportarem a própria mediocridade e incapacidade,
adoram culpabilizar aquilo que chamam genericamente de “O Sistema”.


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