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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Frivolidade pequeno-burguesa

Não quero escrever nada muito profundo,
não quero ser tomado por um tolo sentimento
do quanto os oprimidos sofrem,
ou de quanta injustiça há no mundo;
quero apenas viver aquilo que pode ser vivido.

No prosaísmo do cotidiano, papo furado entre amigos,
boa comida, um bom vinho,
trabalho — dia após dia —, descanso, família.

Sempre contra um mundo melhor,
contra um novo homem,
mas com posturas e valores, é claro;
só os chatos e entediados já acordam pensando em revolução.



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