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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Fuga

Abandonei a todos e fui-me embora.

Não disse para onde iria,

não deixei nenhum recado,

apenas segui em frente.

Atrás, as recordações; à frente, o silêncio.

Tentei apagar todos os resquícios de uma náufraga existência.

Busquei, em vão, o que a mim não pertencia.

E quando tudo se mostrava irremediavelmente perdido,

eis que algo inesperado aconteceu.

Com um afável sorriso no rosto e um olhar compassivo,

numa rua erma e esquecida,

lá estava você outra vez vindo ao meu encontro.



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