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Ver demais

Veredas tropicais: palmeiras, samambaias, musgo delicado, esmeraldas e muita selva e seiva entre nós. Ver-te todo dia, ver-te nunca mais. Verdades escondidas, vertentes do querer. Veraneio, praia e sol. Um verdejar tardio: agitação sobre a copa das árvores, chuva intempestiva e o verde dos teus olhos ainda em mim.

Ígnea

Ígnea, era o seu nome.
Nunca soube o porquê disso:
não havia nela excesso,
nem voz elevada,
nem gestos.

Cresceu no silêncio.
Falava pouco,
não por desdém,
mas por cuidado.

Diziam que era fria,
quando, na verdade,
era apenas alguém
que se resguardava.

Por fora, tudo era contido,
ordenado,
quase imóvel.

Seu nome lhe parecia um erro,
um equívoco sem graça,
desses que ninguém mais corrige
porque já passou tempo demais.

Mas havia noites,
raras, quase imperceptíveis,
em que algo nela se movia.
Um pensamento insistente,
uma lembrança fugidia,
um desejo sem forma.

Nada que virasse incêndio.
Apenas um brilho curto,
íntimo,
suficiente para lembrar
que até a matéria mais quieta
guarda, em segredo,
o seu fogo.




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