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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Tesouro perdido

Porque tanta superficialidade? Tanto medo de amar?
Permanecemos distantes:
não nos entregamos, muito menos criamos laços;
é cada um no seu caminho.
Vivemos as nossas vidas em solitárias ilhas perdidas no meio do vasto oceano,
com medo, olha só, de molharmos os pés!


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