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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Terra arrasada

Em meu corpo sinto o pó da estrada;
suor, lágrimas, cansaço e nada.
Viola na mão, entoo uma triste canção.
Aos poucos, pessoas se reúnem para ouvir o meu pobre cantar.
Uma criança sorri...
Alguém faz uma piada,
e o clima melhora;
juntos, esperamos por mais uma aurora.


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