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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

O Grande Colisor da Alma

Eu queria subverter as leis da física;
estou em rota de colisão comigo mesmo.
Olho para o céu e vejo uma explosão cósmica,
um cataclismo de subjetivas proporções que só eu posso ver,
que queima, que destrói,
que pulveriza até as minhas mais insignificantes certezas.
Eu espero o seu chamado,
espero qualquer chamado, aliás,
mas o silêncio persiste,
persiste e inunda o meu ser.
Não tenho forças para prosseguir,
e também não quero parar;
estou quase chegando lá,
o lugar onde nada há:


.



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