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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

Solitude

Sereno a alma,
acalmo o espírito,
respiro fundo…
– pausa –
Estou só; não há ninguém no mundo,
só eu mesmo, eu e as minhas circunstâncias.
Sinto-me em paz, quase completo,
de bem comigo mesmo,
sem desejar largos horizontes,
nem fins grandiloquentes,
ou loucas e novas aventuras;
amo o oceano vasto do meu estado pacífico,
a eterna calmaria de um silêncio abrasador.


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