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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Extemporâneo

Fora do tempo
Perdido no espaço
Homem das cavernas com smartphone
Nem tudo evolui no mesmo ritmo

Penso que sou grande
Moralmente infalível
Que meu conhecimento é insuperável
Mais uma vez: “Ignorância é força”

A cada dia que passa durmo pior
Sucessão frenética de fatos desconexos
Caos, insipidez e pouco afeto
Vida vivida apenas por viver



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