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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Desilusões

Estou sem chão,
sem horizontes,
em queda livre...
Perdido no espaço que nos separa,
eu me encontro aturdido, cansado;
sou uma sombra, um presságio.

O tempo passa apressado,
uma casa sem alicerces rapidamente afunda,
e eu, dia após dia, arrefeço pouco a pouco.

Está tudo diferente, mas também igual.
Ainda é dia, mesmo que não haja mais alegria, sonho ou sol.


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