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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Desiderato

Angústia, tristeza, solidão,
fim do mundo,
falta de sentido,
isolamento autoimposto;
quero encontrar algo que me distraia da realidade.
Nada posso contra o caos que me atordoa;
a noite é longa, e o sono não chega.
Por ruas desertas, o perigo se esconde em cada canto,
já o silêncio se torna um incômodo, um abismo exasperante.
E a vontade não morre, apenas hiberna,
aguarda o momento propício,
o tempo de reaproximação.


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