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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Me mostre como

Flores que nascem nas criptas do desespero,

águas que escorrem pelos pântanos da morte,

ventos que não trazem nada de auspicioso.


Me mostre como cair no entorpecimento,

como desaparecer em você,

como deixar de ser.


Verdades ditas a mesmo,

laços rompidos,

estranhas histórias de amor.


Em minhas mãos, flores murchas de Maio.

No horizonte, o beijo suave do Tempo.





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