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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Encontro

À noite, busco o teu olhar;
vagando triste e sozinho,
vejo da rosa o espinho,
sob os lampejos do luar.

Porém, noto no cantinho
a janela tua a brilhar,
e num quase descortinar,
vislumbro devagarinho:

Uma leve silhueta,
e um encanto primaveril
no jardim da flor que se abriu.

Sinto no ar uma opereta,
um canto terno e pueril,
mas a luz... já se extinguiu.


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