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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Criticidade, sim; cretinice, não!

Na era do conhecimento wikipédico, sabe-se de tudo um pouco e tão pouco de tudo! Vivemos num mundo repleto de informações isoladas e fragmentadas que, no mais das vezes, acabam nunca se agregando a um corpo maior de saberes. A superficialidade ganhou ares de totalidade; ninguém mais quer mergulhar em águas mais profundas. Todos estão satisfeitos com o pouco que compreendem do mundo. Filosofia, ciência, política, economia, história, artes — tudo agora está coberto por uma espessa camada de poeira.

 "A Primavera" de Sandro Botticelli


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