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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Vanitas vanitatum

Sou uma vítima de minhas próprias expectativas,

um artista a produzir um mundo, às vezes edulcorado,

um servo voluntário de um amor desfeito.

Na memória, empolgações fugidias de uma noite sem verão;

neste momento, o contínuo tédio das horas tristes que nunca me abandonam.

Feridas, mágoas, cicatrizes;

um vívido pesadelo que não passa.

Vou adentrando pouco a pouco no terreno insólito de uma solidão que se faz cada dia mais aguda e sufocante.

Há muito já se passou o tempo do desespero, do grito e da convulsão;

trago comigo apenas uma esperança desesperançada

e um vazio crescente ao longo desta eterna madrugada.



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