Vanitas vanitatum
Sou uma vítima de minhas próprias expectativas,
um artista a produzir um mundo, às vezes edulcorado,
um servo voluntário de um amor desfeito.
Na memória, empolgações fugidias de uma noite sem verão;
neste momento, o contínuo tédio das horas tristes que nunca me abandonam.
Feridas, mágoas, cicatrizes;
um vívido pesadelo que não passa.
Vou adentrando pouco a pouco no terreno insólito de uma solidão que se faz cada dia mais aguda e sufocante.
Há muito já se passou o tempo do desespero, do grito e da convulsão;
trago comigo apenas uma esperança desesperançada
e um vazio crescente ao longo desta eterna madrugada.

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