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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

Em tua companhia

Em nossas tardes deleitosas,
o surgimento de afinidades eletivas,
a fusão de almas que se atraem.
Um souvenir na penteadeira,
um antigo livro na estante;
uma agradável reminiscência,
uma poética dedicatória.
Ao som da tua voz equidistante,
uma sucessão de ideias, sensações e sentimentos;
perto mesmo que longe,
vida além-horizonte.
Ermos sítios do espírito, à espera de uma luz;
tu és para mim aquilo que nunca se traduz.


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