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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Um dia

Um dia sem amor,
apenas um…

Por todos os lados,
pessoas que nunca saem do personagem,
que nunca abandonam o script;
ficções de uma vida heroica,
cheia de valores e virtudes,
em um mundo caótico e sem sentido;
facções que se digladiam
dia após dia, incessantemente,
por um naco, qualquer que seja, de fama e poder.

Um dia de loucura e frêmito,
um dia de ousadia;
bem, quem sabe um dia.




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