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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Cotidiano

Nem tudo é poesia,

mas bem que poderia ser,

ser diferente,

diferente e contagiante.


Caminhar descalço na grama,

e não sair esbravejando discursos de ódio;

ser gentil e atencioso,

e não ter certezas absolutas;

parar, respirar fundo e ver com novos olhos,

e não seguir insanamente um ressentimento anacrônico.


A lua ainda brilha no céu matutino,

e o céu está opressivamente azul;

tudo parece tão igual na superfície das coisas.




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