Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

À Beleza

Deuses acima e abaixo

mistérios por toda parte

infernos pessoais


Colho um fruto da árvore do não-saber,

deleito-me na vacuidade de fátuos prazeres,

e acabo, por fim, vagando exausto em busca de algo que jamais terei.


Oh, Beleza, transitória e imutável,

que me fazes perder o chão,

eis-me aqui tremendo,

feito um homem-menino

que nunca sabe dizer não.


Insatisfeito, rarefeito,

diluído em uma poça oceânica,

jogado aos pés do ocaso e do descaso;

preso, acorrentado,

sujo e ensanguentado;

vivo, triste e contente,

olhando o firmamento desolado.




Comentários

Compartilhe:

Sugestões para você

Carregando…