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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do efêmero florescer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Triste Holoceno

Me aventuro em meu próprio jardim

tentando todos os dias,

e mais uma vez,

cumprir a tarefa hercúlea e infrutífera

de regar a flor da felicidade alheia.

Estou sempre triste, ou alegre, pelos motivos errados.

Demonstro pouco e sinto muito,

mas por vezes o contrário também me acontece.


Hoje, a noite está fria,

e não há estrelas no céu.

Ouço vozes ao meu redor,

vejo vultos, gestos e símbolos,

mas não consigo captar nenhum significado.


Gritos silenciosos, silenciados,

por toda parte;

muita informação e pouco conhecimento;

e, sobretudo, muito barulho para abafar tudo o que não seja alegria, sucesso e modernidade.




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