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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Sublimação

A única coisa que posso fazer é sublimar a dor que sinto em meu peito,
fazer com que esta angústia incessante, que me persegue continuamente,
seja expurgada através desta minha medíocre expressão.
O mundo parece que vai me esmagar, porém não me esmaga,
e, desta forma, me destrói lentamente,
fazendo-me afundar em meu mundo particular.
Estou sufocado por meus próprios pensamentos
e por minha própria dor existencial.
Não aguento mais, estou louco, busco desesperadamente uma saída,
mas nada encontro; não tenho onde me segurar,
estou afundando e, aos poucos, desaparecendo...
Para sempre vivo emudecido e esquecido por todos aqueles
que, um dia, disseram me amar.


Viver é, antes de tudo, um ato de puro masoquismo; porém, mesmo na dor, há, neste processo, uma beleza indizível e majestosa.

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