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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

Amada, Amante – Amaro Amor

Que esse terno eterno momento
nunca se apague de minha memória:
uma voz maviosa,
um jeito gentil,
um ser de encanto,
e o meu coração a mil!

Seu falar me arrebata,
seu silêncio me inebria;
vivo sob esta nova chibata
dia e noite, noite e dia.

Dos sofrimentos do amor
pensei já estar curado...
Ledo engano meu,
a magia mora ao lado.


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