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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

Abismo

Eu te falo sobre muitas coisas, mas tu não me respondes.
Tu queres que eu te compreenda totalmente,
que compartilhe de teus sonhos,
porém, infelizmente, por mais que eu me esforce,
não consigo desvendar os mistérios do teu sensível universo.

A reciprocidade tão almejada pouco alcança;
vivemos separados por uma cortina tênue e instransponível.
Eu procuro o meu reflexo em ti,
e tu procuras a tua essência em mim.
Separados porém unidos,
vivemos eternamente equidistantes.

No entanto, no silêncio amoroso,
na magia inexplicável da vida,
sempre nos encontramos.


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