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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

As batalhas napoleônicas do dia a dia

A cada dia que passa, eu sobrevivo;
com as minhas contradições,
meus sonhos e minhas mentiras,
prossigo.

Busco conquistar o glorioso Austerlitz,
evitando a todo custo o Waterloo fatídico,
sem nunca pensar em Santa Helena.

Coragem, medo, perigo, superação,
tudo se mistura no tédio cotidiano;
o inverno se acentua com o passar dos anos.

O vencedor sempre fica com tudo;
a derrota pode ser honrosa;
a vida é o que fazemos no agora.


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