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Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Fogo na Alma

Explosão de cores, sons e sensações:
algo aconteceu em mim.
Não me sinto mais o mesmo;
o espelho reflete uma estranha imagem.
Estou perdendo o controle;
não consigo mais resistir;
está reacendendo em mim uma antiga flama.
A desordem, infelizmente, está posta.
Eu bem sei que corro um grande risco;
tudo tem o seu custo na vida.
E, mesmo assim, lá vou eu de novo!
Mamma mia!


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