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De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

A Ilusão do Self

Um pensamento atrás do outro:
trabalho, família, obrigações, vontades, obsessões.
Um sentimento de estar perdido em meio a um caos de alucinantes reverberações racionais;
um desejo de pôr em ordem todas as coisas, de fazer do mundo um fiel autorretrato.

E eis que tropeço (por insistência) em uma pedra psicodélica, caindo no vazio obliterante da existência.

Percebo, pois, que uso muitas palavras, muitos adjetivos, que penso demais.
Olho atentamente, mantenho a minha atenção plena e vejo a minha cabeça desaparecer;
sou um com o mundo e não há mais um “eu”.


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