Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

De cor

Conheço bem a tua decoração, cada fita, vestido ou penduricalho. Conheço de cor o teu sorriso, o jeito como me olhas, a forma como ajeitas as madeixas. Conheço o teu jeito de me repreender, de mostrar que estás zangada. Mas, por mais que tente, só arranho a superfície do que tu és: esfinge amorosa, flor deleitosa, bálsamo, tormenta e orvalho. És arte e música barroca, luz e sombra, harmonia e contraponto, som e fúria. Bem, tu és o que não sei dizer, o que não ouso descrever, aquilo que está para além de minha compreensão. Só sei, ainda que imprecisamente, sobre o que sinto: júbilo e lamento de amor.

Hipótese temerária

Descrevê-la como corajosa, espontânea, autêntica,
é de uma obviedade ululante.
Por certo, caso eu lhe dissesse algo do gênero,
ela me responderia:
"diga-me algo novo, por favor,
alguma coisa que eu ainda não saiba".
Eu ficaria então perdido, atônito, sem palavras.

Meu encantamento por ti me faz emudecer;
sou um escravo da beleza e do desejo.

Depois do susto, faria de tudo para lhe agradar,
diria o que não sinto,
multiplicaria palavras sem necessidade.

Ela perceberia o simulacro,
leria sagazmente as entrelinhas,
abriria as asas e voaria para longe.



Comentários

Compartilhe:

Sugestões para você

Carregando…