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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Janeiro

Janeiro – quente e chuvoso –,
que sempre quer mais,
que nunca se satisfaz.
Lânguidas tardes que não terminam;
pessoas que não dizem nada de interessante.
Tédio nas noites modorrentas.
O céu está mais uma vez carregado de nuvens escuras,
e aqui dentro também está escuro.
Chuvas torrenciais, alagamentos, dilúvio.




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