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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Ouroboros

Para além do mundo físico,
deixando para trás traumas e contradições,
eu vislumbro vida e destruição,
morte e renascimento.
Há um oceano dentro de mim,
uma natureza cruel e indiferente,
um ciclo infinito de caos e ordenamento.
Sinto um esvaziamento completo,
um silêncio obliterante;
tudo parece tão sereno e doloroso,
tão puramente apocalíptico.

Lábios frios, falso horizonte,
águas calmas; ah, caro Caronte.




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