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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

O Fim do Mundo

Crisântemos, Escombros, Estática

Nenhuma música no rádio,
nenhum reality show na televisão,
nem mesmo memes engraçados nas redes sociais
ou vídeos de gatinhos fofinhos no YouTube;
nada, nada mais consegue reter minha atenção.

Por fora, no mundo exterior,
tudo está idêntico ao que sempre foi:
as mesmas piadas tristes,
os mesmos homens enfadonhos.

Já por dentro, no meu mundinho interior,
vejo crisântemos em meio aos escombros do caminho,
ouço a estática, que nada significa;
nem tudo precisa significar alguma coisa.

Estou cansado dos profetas da obviedade,
das canções de amor daqueles que não amam,
da emotividade incontida que a ninguém comove.

O fim do mundo pode começar a qualquer momento:
pode ser uma nova chance ou apenas dor e lamento.

memento mori


Nota do autor

Este poema nasce do cansaço diante do excesso de ruído, de sentidos impostos e emoções fabricadas. Nada desmorona fora; o colapso é interno. Entre crisântemos e escombros, resta a aceitação do vazio como forma de lucidez: nem tudo precisa significar alguma coisa. memento mori surge não como ameaça, mas como lembrança serena da finitude — e, talvez, da liberdade que ela oferece.

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