Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

O Pomo de Ouro

Páris devia dar o seu palpite, e acabar com a contenda celestial: “Seria Hera, Atena ou Afrodite, qual teria uma beleza sem igual?” Cada deusa fez a Páris uma oferta: Hera lhe daria império e glória; Atena, a mais alta sabedoria; Afrodite, o amor da mais bela mortal. Aos encantos do poder, Páris resistiu, como também aos do conhecimento, mas o amor era um convite especial. Afrodite ganhou o pomo dourado. Por Helena, Páris foi muito amado. Porém, eu não contarei aqui o final.

O Fim do Mundo

Crisântemos, Escombros, Estática

Nenhuma música no rádio,
nenhum reality show na televisão,
nem mesmo memes engraçados nas redes sociais
ou vídeos de gatinhos fofinhos no YouTube;
nada, nada mais consegue reter minha atenção.

Por fora, no mundo exterior,
tudo está idêntico ao que sempre foi:
as mesmas piadas tristes,
os mesmos homens enfadonhos.

Já por dentro, no meu mundinho interior,
vejo crisântemos em meio aos escombros do caminho,
ouço a estática, que nada significa;
nem tudo precisa significar alguma coisa.

Estou cansado dos profetas da obviedade,
das canções de amor daqueles que não amam,
da emotividade incontida que a ninguém comove.

O fim do mundo pode começar a qualquer momento:
pode ser uma nova chance ou apenas dor e lamento.

memento mori


Nota do autor

Este poema nasce do cansaço diante do excesso de ruído, de sentidos impostos e emoções fabricadas. Nada desmorona fora; o colapso é interno. Entre crisântemos e escombros, resta a aceitação do vazio como forma de lucidez: nem tudo precisa significar alguma coisa. memento mori surge não como ameaça, mas como lembrança serena da finitude — e, talvez, da liberdade que ela oferece.

Comentários

Compartilhe:

Sugestões para você

Carregando…