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Constatação

Eis-me aqui de novo, com meus versos de botequim, com minha arte chinfrim, fazendo uma rima assim: ruim. Não sou boêmio. Sou abstêmio. Talvez, se eu bebesse um pouco, ou muito, conseguiria viver sem Poesia. Não sei, só sei que sempre fui assim: perdido e ensimesmado. Canto porque canto, e bota desafinação nisso! Ué, todos já foram embora? Por que estão apagando a luz? Meu nome não é José, nem Raimundo, e não carrego em minhas mãos o sentimento do mundo. Sou o que fiz de mim mesmo, e isso não é humildade, muito menos autoelogio, ou depreciação.

As marés da vida

Minhas palavras se evaporam

Meus pensamentos se diluem

Mergulho cada vez mais fundo

Miro a última ilusão desfeita

Maldigo paixões arrefecidas

Mastros e velas destruídas

Naufrágio além do horizonte

Nebulosas memórias e tempestades

Nítidas angústias ao vento do norte

Nada, porém, que me faça desistir

Ondas, fluxo, vida e calmaria

O tempo e amor restantes.




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