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Constatação

Eis-me aqui de novo, com meus versos de botequim, com minha arte chinfrim, fazendo uma rima assim: ruim. Não sou boêmio. Sou abstêmio. Talvez, se eu bebesse um pouco, ou muito, conseguiria viver sem Poesia. Não sei, só sei que sempre fui assim: perdido e ensimesmado. Canto porque canto, e bota desafinação nisso! Ué, todos já foram embora? Por que estão apagando a luz? Meu nome não é José, nem Raimundo, e não carrego em minhas mãos o sentimento do mundo. Sou o que fiz de mim mesmo, e isso não é humildade, muito menos autoelogio, ou depreciação.

À procura de um poema

Às vezes rimo, às vezes não rimo,
e logo depois me vejo correndo descalço pelos campos da meninice,
afagando sonhos e versos,
polinizando amorosas flores.

Aos meus pés, uma planta pequenina,
frágil como tudo aquilo que há de mais bonito nesta vida,
que cresce, cresce, cresce
e se torna árvore sem medo,
em cuja sombra me calo e envelheço.

À noite, quando os pássaros voltam aos seus ninhos,
quando o frio se faz presente,
tento recordar uma velha cantiga de viver;
e eis que o tempo, a vida, tudo, de repente, se transformam em água,
salobra, calma, lúcida;
e eu, pobre criança mergulhada no mistério,
me transubstancio também em Mar Absoluto.



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