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Inominável

Uma floresta densa, escura, cheia de mistérios e perigos. Uma trilha estreita, tortuosa, que desfaz o juízo e dilacera a alma. Animais selvagens à espreita; clima inóspito, sem fogo nem abrigo. Lugar onde se entra, e apenas isso.

À procura de um poema

Às vezes rimo, às vezes não rimo,
e logo depois me vejo correndo descalço pelos campos da meninice,
afagando sonhos e versos,
polinizando amorosas flores.

Aos meus pés, uma planta pequenina,
frágil como tudo aquilo que há de mais bonito nesta vida,
que cresce, cresce, cresce
e se torna árvore sem medo,
em cuja sombra me calo e envelheço.

À noite, quando os pássaros voltam aos seus ninhos,
quando o frio se faz presente,
tento recordar uma velha cantiga de viver;
e eis que o tempo, a vida, tudo, de repente, se transformam em água,
salobra, calma, lúcida;
e eu, pobre criança mergulhada no mistério,
me transubstancio também em Mar Absoluto.



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