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Ver demais

Veredas tropicais: palmeiras, samambaias, musgo delicado, esmeraldas e muita selva e seiva entre nós. Ver-te todo dia, ver-te nunca mais. Verdades escondidas, vertentes do querer. Veraneio, praia e sol. Um verdejar tardio: agitação sobre a copa das árvores, chuva intempestiva e o verde dos teus olhos ainda em mim.

Chão

Descalço, o homem repisa o chão já cansado.
Um caminho se lhe apresenta: continuar,
– mas como? –
se seus pés maltratados imploram por um oásis,
um refrigério, um sonho-ilusão, vida-doce-canção.

Marginalmente esquecido, necessita reaprender a olhar,
desapegar-se da dolce vita que tanto sonhara
para poder viver a experiência, ao mesmo tempo
aterrorizante e esplêndida, da realidade.

Numa confluência inesperada, mundos distintos:
– o racionalismo totalizante da vida;
– o escapismo transcendente da imaterialidade.
Mais do que nunca é preciso reinventar-se.





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