Pular para o conteúdo principal

Postagem em destaque

Entre poemas e cafés

Alguns poemas não amadurecem no papel: resistem. Alguns cafés só se tornam o que são por escolha. Entre uma xícara e outra, entre o rascunho e a versão definitiva, algo repousa, decanta, perde corpo, ganha aroma — fruto do tempo acumulado, do lento devaneio e de escassas garantias. Um grão agridoce torrado e moído, um verso limado e medido, uma vida coada e revista. O manuscrito incompleto, o café já frio e algo que não se explica.

Chão

Descalço, o homem repisa o chão já cansado.
Um caminho se lhe apresenta: continuar,
– mas como? –
se seus pés maltratados imploram por um oásis,
um refrigério, um sonho-ilusão, vida-doce-canção.

Marginalmente esquecido, necessita reaprender a olhar,
desapegar-se da dolce vita que tanto sonhara
para poder viver a experiência, ao mesmo tempo
aterrorizante e esplêndida, da realidade.

Numa confluência inesperada, mundos distintos:
– o racionalismo totalizante da vida;
– o escapismo transcendente da imaterialidade.
Mais do que nunca é preciso reinventar-se.





Comentários

Postar um comentário

Compartilhe:

Sugestões para você

Carregando…