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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Gnosis

Oh, cáustico saber,
aquele que te procura
sempre há de se arrepender.
No entanto, também será recompensado,
pois o que era de acre sabor,
com o tempo, torna-se gradativamente doce:
recuperamo-nos, aos poucos, do rancor.
Melhor a incerteza filosófica
do que a confiança cega e obliterante
nas falsas certezas deste atual mundo reinante.


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