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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Na solidão claustrofóbica

Na solidão claustrofóbica de seu quarto,
ele buscava ansiosamente por uma saída,
por uma resposta para o seu sofrimento.
A insônia apoderava-se de todo o seu ser;
nem mesmo quando fechava os olhos
ele conseguia se desvencilhar de seus temores.
A porta, tão tranquila e fechada, em nada ajudava;
ela poderia ser tanto uma rota de fuga
quanto um terrível canal de entrada.
O dia amanhecia e, pela janela, uma frouxa luz adentrava,
trazendo consigo novas esperanças e, não menos,
novos desapontamentos.
Era imperativo recomeçar!
E assim, abrindo vagarosamente a porta,
ele aquietou o espírito e saiu de seu torpor.


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