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Inominável

Uma floresta densa, escura, cheia de mistérios e perigos. Uma trilha estreita, tortuosa, que desfaz o juízo e dilacera a alma. Animais selvagens à espreita; clima inóspito, sem fogo nem abrigo. Lugar onde se entra, e apenas isso.

Recordações

Num dia desses, estava eu a recordar o passado, um tanto longínquo, que aos poucos se desvanece à ação lenta e contínua do tempo. E, aos poucos, fui mergulhando num mar de doces recordações pueris, alegres peraltices e não poucas imaginações. Neste revolver das minhas reminiscências, senti-me assaz extasiado, imensamente contente por compreender que nada na vida é em vão vivido; podemos sempre trazer de volta os doces momentos vividos e, por que não, ao trazê-los de volta à flor da mente, experienciarmos outra vez as alegrias e dores de outrora, certamente não com o mesmo sabor de novidade e incerteza que existe somente no instante presente, mas com aquele prazer de analisar e buscar entender quais eram as forças que nos moviam, quais sentimentos verdadeiramente nos agitavam e o que de fato acontecia.

Ao passo que estas recordações vinham à tona em minha consciência, fui percebendo as alterações da vida: a meninice já um tanto esquecida, o espírito otimista e brincalhão que para trás ficou; e tal agitação tomou conta de mim de uma forma tão intensa que acabei deixando cair uma pequena e contrita lágrima. Foi como estar a contemplar um espelho e ver que as marcas do tempo em muito apagaram, em meu espírito, a jovialidade da tenra idade. Quem assim ler estas minhas palavras com certeza há de pensar que quem as escreve é por certo uma pessoa de muitas primaveras, mas não, não sou um homem velho; entretanto, a aspereza e os conflitos da vida, de certa forma, nos embrutecem o espírito e nos tornam, por assim dizer, uma sociedade decrépita.

Penso não ser necessário cair em alguma fonte do rejuvenescimento, muito menos querer aparentar uma idade à qual não temos; devemos, pois, buscar no recôndito de nossa alma a essência da vida, reconstituir em nós a chama da esperança, a alegria sincera e espontânea da criança que há dentro de cada um de nós, pois, com certeza, debaixo do pó e dos escombros do coração humano ainda existem os resquícios de uma esplendorosa civilização. É uma questão, em minha opinião, de valorização do que temos de mais precioso, mas a cada um cabe a sua interpretação.

Neste dia, terminadas estas minhas reflexões, silenciei-me por fim.



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