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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

O Outono das Lamentações

No crepitar das chamas, algo se anuncia;
o labor recompensado, a colheita farta,
o alvorecer de um novo e augusto dia.
Passam-se os meses, ouve-se uma nova canção;
triste e enfadonha, contínua e ritmada,
ela ressoa internamente na fria madrugada.
Laivos de tristeza, nódoas e mágoas...
Vida e renovação, o silêncio e o nada.


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