Uma floresta densa, escura, cheia de mistérios e perigos. Uma trilha estreita, tortuosa, que desfaz o juízo e dilacera a alma. Animais selvagens à espreita; clima inóspito, sem fogo nem abrigo. Lugar onde se entra, e apenas isso.
Agora
tanto faz avançar ou retroceder, ir para a direita ou para a esquerda, todos os
caminhos são iguais. Nada nesta vida parece realmente valer a pena. Toda luta é
vã, toda glória é fútil, todo o nosso suor e trabalho inútil. A vida é vazia,
ela não traz em si nenhuma significação. A vida é um abismo, um vasto oceano,
um ermo deserto, a vida não é nada, e, no entanto, ela é tudo.
Palavras
do Eclesiastes, filho de Davi, rei de Jerusalém. Vaidade das vaidades, diz o
Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade. Que proveito tira o homem de
todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol? Uma geração passa, outra
vem; mas a terra sempre subsiste. O sol se levanta, o sol se põe; apressa-se a
voltar a seu lugar; em seguida, se levanta de novo. O vento vai em direção ao
sul, vai em direção ao norte, volteia e gira nos mesmos circuitos. Todos os
rios se dirigem para o mar, e o mar não transborda. Em direção ao mar, para
onde correm os rios, eles continuam a correr. Todas as coisas se afadigam, mais
do que se pode dizer. A vista não se farta de ver, o ouvido nunca se sacia de
ouvir. O que foi é o que será: o que acontece é o que há de acontecer. Não há
nada de novo debaixo do sol.
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