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Imperativo

Tudo o que eu quero é me dispersar pela vastidão do tempo e do fenecer; como nuvem, sem forma, estar acima, à deriva, e, embaixo, em cada gesto; despejar-me pelos telhados carcomidos, escorrer pelas sarjetas e bueiros e infiltrar o solo áspero, duro, insensível, até desaparecer.

Relativismo

Hoje em dia, o relativismo é muito exacerbado; ninguém tem mais certeza sobre nada. Há metamorfoses ambulantes por todos os lados. Porém, não é pelo fato de que não podemos ter certezas absolutas (aliás, nem devemos tê-las) que, por outro lado, precisamos chegar à conclusão minimalista de que é impossível chegar a qualquer certeza, por menor que ela seja.

Eu sou profundamente alinhado à tradição ocidental europeia; acredito que, apesar dos vários problemas existentes, a cultura laica ocidental, derivada principalmente do Velho Continente, é um dos mais relevantes legados culturais da humanidade. Porém, aos poucos, estamos nos autodestruindo, pois estamos perdendo o sentido de tudo, caindo, assim, no poço sem fim do niilismo. Estamos nos tornando uma sociedade cada vez mais fragmentada, sem objetivos e sem metas. Questionamos e destruímos tudo, mas somos incapazes de criar algo novo. Não conseguimos ressignificar nada. Objetivos pessoais são imprescindíveis, porém não podemos viver completamente sem um objetivo coletivo mínimo; antropologicamente falando, nenhum homem é uma ilha.








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